21 de agosto de 2009

Tempo dos Afectos

O que custa um abraço?
Por quanto me levas um beijo?
Ardente carinho, e nunca mais te vejo.
O dia está triste, repleto de chuva intensa.
Há sempre mais uma lágrima,
Porque a dor é imensa.

A dificuldade em demonstrar afectos é comum a muitas pessoas. Quantos de nós perdemos laços de amizade verdadeira, nos afastamos, inconscientemente na rotina da vida, daqueles que outrora fizeram o nosso pequeno mundo, que nos moldaram e foram moldados, na personalidade, no perfil, no crescimento, naquilo que fomos e somos. O tempo é intransigente e segue a sua marcha imponente e presunçoso sem perguntar se estamos preparados para o que o futuro nos reserva, e nesta roda viva sem nos apercebermos estamos a utilizar expressões padrão, e frases feitas, do tipo "como é" ou "ta tudo" como expoente máximo de uma conversa com pessoas com quem já partilhamos muito mais que palavras, pessoas com quem partilhamos vida.
Apesar de continuarmos a ter um amigo já não temos uma amizade, porque a amizade perdeu-se no tempo, e apesar de sentirmos ainda um laço forte não somos capazes de o expressar porque de alguma forma receamos que esse amigo, na evolução natural da sua vida, tenha alterado os contornos do seu molde e isso o tenha tornado numa pessoa diferente ou porventura até não tenha mudado assim tanto, mas as correntes que nos amarram os afectos não nos soltam para o chegarmos a saber.
Nos caminhos misteriosos do existencialismo somos empurrados num jogo de alegrias e triztezas, de amor e ódio, de tranquilidade e de raiva e é friamente que as regras desse jogo nos evocam para a mais dura das verdades, de que perdemos um amigo, sem termos tido tempo sequer para revelar o que por ele sentimos, sem tempo para o abraço ou o beijo que por tempo demais adiamos.
Liberto então os meus pensamentos, actos e contrições e mando daqui abraços e beijos fortes a todos os amigos, mais longe ou mais perto, mais próximos ou mais afastados, saibam que vos estimo infinitamente e que o tempo não apagará jamais o que ficou na raíz do passado.

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