Palavras...
É este o punhal afiado que te cravo no peito,
Arranco-te o coração num crime quase perfeito,
Salpicos do teu sangue ainda quente escorrem-me no rosto,
Saboreio uma gota que me toca os lábios e sinto gosto,
Sorriso aberto, sarcástico a tua alma o meu deleito,
Inveja, vingança, cinismo é ao que estás sujeito.
Homicida das letras...
Desmembro-te mais um membro a sangue frio,
E rio da fé e da crença, palavras vão...
Frases vem...mas eu é que dito a sentença.
Abandono o local do crime deixando despojos de guerra
O teu destino final, frio e fundo, debaixo da terra.
Na rua o sol brilha, altruísta, para toda a gente,
É a única jóia de valor eterno e permanente.
Caminho ainda livre rumo ao abismo
Entrego a liberdade, sou algemado e detido ,
Aguardo com paciência o meu cataclismo,
A sociedade exige e devo ser punido
Mas nem por um segundo me sinto arrependido.
Podes-me prender e fazer das minhas letras tuas escravas
eu renasço e torturo-te até à morte...com palavras!