Prostrado no solo depois de mais uma noite acordado,
Pupilas dilatadas a olhar o teto como se visse o céu.
Imagina por momentos o julgamento final, sentado no banco do réu.
A missão, destruir para alcançar a libertação da alma,
Respira fundo num esforço para manter a calma.
Agnóstico. A motivação não é a fê, é indiferente à religião.
Diagnóstico? Ansiedade, baixa auto estima e depressão.
Passou meses isolado a estudar um explosivo caseiro.
A adrenalina a bombear, a bomba na mochila ao lado da cama,
Rastilho de pólvora, pavio curto, no bolso o maço de tabaco e o isqueiro.
Nem por um segundo sente remorsos na alma,
Mas sabe que está errado, no fundo coração,
No entanto já faz anos que é a cabeça que comanda a ação.
Sai do quarto do Hotel escolhido, junto da manifestação.
Artistas da música, teatro e das letras em reivindicação.
Com o peso da mochila nas costas já no meio da multidão,
Tarjas ao alto, gritos de revolta e indignação,
Disfarçado acende um cigarro deixa o isqueiro na mão.
De súbito o estrondo aterrador de uma explosão,
Uma nuvem de fumo emerge dos destroços e invade a rua,
Ao longe a população murmura,
É a morte da Cultura!