4 de maio de 2021

Genocida

Prostrado no solo depois de mais uma noite acordado,

Pupilas dilatadas a olhar o teto como se visse o céu.

Imagina por momentos o julgamento final, sentado no banco do réu.

A missão, destruir para alcançar a libertação da alma,

Respira fundo num esforço para manter a calma.

Agnóstico. A motivação não é a fê, é indiferente à religião.

Diagnóstico? Ansiedade, baixa auto estima e depressão.

Passou meses isolado a estudar um explosivo caseiro.

A adrenalina a bombear, a bomba na mochila ao lado da cama,

Rastilho de pólvora, pavio curto, no bolso o maço de tabaco e o isqueiro.

Nem por um segundo sente remorsos na alma,

Mas sabe que está errado, no fundo coração,

No entanto já faz anos que é a cabeça que comanda a ação.

Sai do quarto do Hotel escolhido, junto da manifestação.

Artistas da música, teatro e das letras em reivindicação.

Com o peso da mochila nas costas já no meio da multidão,

Tarjas ao alto, gritos de revolta e indignação,

Disfarçado acende um cigarro deixa o isqueiro na mão.

De súbito o estrondo aterrador de uma explosão,

Uma nuvem de fumo emerge dos destroços e invade a rua,

Ao longe a população murmura,

É a morte da Cultura!

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