20 de julho de 2009

Geração Anónima

Não sei se hei-de ficar estupidamente feliz ou parvamente entristecido, Certo é, que pertenço á geração de transição para a moderna geração anónima. Nos meus primeiros passos pelo mundo virtual assistia-se á explosão das redes sociais abertas, onde se convivia, confraternizava e até se galanteava abertamente em ajuntamentos de pessoas impressionantes, sendo que o IRC foi o ex-líbris deste período. Por esta altura já poucas pessoas se lembravam do som alegre das crianças a brincar na rua. Actualmente com a geração anónima as redes sociais estão ainda mais expandidas e massificadas com a leve distinção que passaram a ser fechadas, exclusivas, por adicionamento ou convite. Correm rumores que um ou dois idosos juram terem visto meninos a saltarem do segundo andar de edifícios em construção para a areia, mas creio não passar de mitos urbanos até porque não é habitual os idosos terem tão boa memória.

Enfim, o nosso destino é o caminho para a evolução. Se os meus avós tiveram uma infância conturbada, os meus pais tiveram-na menos condicionada, eu gozei da liberdade e a geração anónima é estúpida.

Mas na era em que se joga ás escondidas por trás do monitor nem tudo são lamentações, e por antagónico que possa parecer o anonimato tem aspectos positivos. Na sociedade hipócrita actual somos embalados por regras sociais, que funcionam como linhas orientadores de comportamentos, pensamentos e acções, regras essas que se não forem seguidas escrupulosamente seremos na melhor das hipóteses menosprezados e excluídos da pomposa sociedade. E é justamente neste ponto que reside a jóia da coroa da clandestinidade, podermo-nos insurgir por palavras contra essas malditas regras que nos acorrentam, ser possível expelir todas as nossas reflexões, agradáveis, desagradáveis, defensivas ou agressivas, e poder soltar um grito mudo “I don’t give a fuck!”

Por outras palavras será neste espaço que irei libertar todos os meus pensamentos, actos e contrições, contando para isso com o contributo de um batalhão de mais de mil insubmissos dispostos a opinar com força.


PS - Este post dá a ilusão de se tratar de um blogue a sério e em modos. Mas foi só para salvaguardar que somos gente que tem conversas com um certo Aníbal – “Aníbal! Forte abraço companheiro.”

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