14 de dezembro de 2010

Suícida

A noite já vai longa, é de madrugada,
Chegas a casa, não pensas em mais nada,
Contas os passos na direcção da garrafeira,
Procuras álcool para alimentar a bebedeira.
Desapertas o laço apertado que te abafa…
Respiras bem fundo, pousas a gravata,
Dás um trago sôfrego na garrafa,
Buscas a solução mas, nem ata, nem desata.
Afundas lentamente o peso do corpo no sofá,
Com as mãos trépidas seguras a cabeça.
Suspiras por calma, é mais uma noite má,
Desejas...que nunca mais aconteça.
Olhas o chão e pareces atordoado,
Fechas os olhos e bebes mais um bocado.
Estás confuso, perdido, desesperado,
Estendes a mão para a mesa,
Onde pousas o vinho, já embriagado.
Num impulso reages de surpresa,
Apalpas cegamente, sabes que está ali ao lado
Agarras convicto um pedaço de ferro gelado.
Revólver de fogo, calibre 35, dedo no gatilho,
Flashback da tua vida, nem um segundo de brilho.
Não tens dúvida nenhuma, estás decidido,
Num lapso fugaz apontas o objectivo. Pam!
Um tiro na cabeça, problema resolvido!

Sem comentários:

Enviar um comentário