17 de janeiro de 2010

Protagonismo

Podes passar por mim e eu estar de rastos na sarjeta,
Podes ignorar-me quando me encontrares inerte na valeta,
Podes cuspir no chão onde me deito e eu deixar que isso aconteça,
Mas mesmo que esteja na lama hei-de cagar-te de alto na cabeça.
Não me vendo pela fama, pelo poder, nem pela glória,
Tenho orgulho no meu passado, do que vivi, da minha história.
Acreditas que todo o universo te idolatra e te venera,
Mas na terra é tudo ilusão como o mito de quimera.
No alto do teu castelo e da tua descomunal arrogância
Pára um pouco para pensar e mete a mão na consciência
Sente como está fria a tua alma e como ferve a ignorância,
Nos meus olhos podes aprender a dignidade e a benevolência.
Pergunto se alguém encontrou a noção do ridículo?!
Porque eu conheço quem a perdeu.
É que cada um de nós faz a cama em que se deita,
No mesmo colchão que tu está alguém que não te respeita.
Eu permito que me explores intelectual e fisicamente,
Leva os ossos, leva os músculos, leva tudo até ao ultimo dente,
Mas nem penses que descobres a chave para a minha mente,
Olha que o que está nesse cofre não são valores monetários
Revelo-te já o segredo…são exactamente os contrários!



Não é raiva nem é inveja…Talvez seja uma personalidade extrema. Revolta-me a sede de protagonismo, irrita-me sobretudo quando não se alcança esse protagonismo pelo mérito e se faz questão de o tentar “comprar” através do status social. Esse status pode-se conquistar de inúmeras formas, a mais comum e simultaneamente a mais perversa consiste no falso respeito e admiração que algumas (infelizmente demasiadas) personalidades fracas fazem por demonstrar em relação aos seus “líderes espirituais”. Geralmente as personalidades fracas alimentam esse falso respeito por dependência, sobretudo financeira, directa ou indirecta. Esta liderança permite certas regalias, nomeadamente, entre duas atitudes antagónicas dizer que esta é que está bem e fazer o exacto oposto tendo o privilégio de ambas serem consentidas como estando igualmente certas pelo seu súbtido. Mas existem outras formas de protagonismo não menos irritantes, como é o caso, usando um estrangeirismo, do “show off”, que se caracteriza pelo querer dar nas vistas, pelo vontade de se evidenciar, de se salientar de entre os demais. Este caso verifica-se mais em extractos sociais mais nivelados, como por exemplo, em jantares de colegas de trabalho da mesma hierarquia ou funções, e manifesta-se através do simples falar mais alto do que os restantes, da monopolização da conversa, ainda que sem conteúdo, mudar sorrateiramente o tema de conversa por forma a ganhar a posição de orador principal, ou a mais típica, a contabilização das bebidas alcoólicas ingeridas para sustentar a posição como protagonista principal. De salientar que a luta pelo lugar de destaque no “show off” é ainda mais acesa quando está presente um dos protagonistas por “status social” e o mesmo está disposto a abdicar de algum tempo no poleiro do protagonismo.

É baseado nesta análise, e outras que poderiam ser efectuadas, que considero ter uma personalidade distinta. Não faço esforços para agradar a fulano ou a beltrano não importa qual a posição social, nível de riqueza, nível intelectual, ou outra qualquer forma de distinção. Talvez por isso tenha poucos amigos, até mesmo poucos colegas e bastantes conhecidos. O que realmente me enriquece é que eles sejam verdadeiros, que me respeitem e me admirem pelo que sou e não pelo que tenho ou faço e que me perdoem se alguma vez agi nos mesmos moldes que aqui tento descrever.
Eu sei que quem estiver a ler estará a pensar que este é um lugar comum, que também não andam por aí a lamber botas e a dizer Améns só para se inserirem com mais força nas fundações da sociedade materialista e exibicionista, mas o que parece á luz dos meus olhos é que cada vez há mais hipocrisia.

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